Queremos partilhar os Açores!

Livraria é lugar de afetos

É impossível falar do evento “Livros do Ano de 2016”, que aconteceu no passado dia 31 de janeiro, na Livraria SolMar da Ilha de São Miguel, Açores, sem fazer uma declaração de afeição aos seus proprietários: Maria Helena Frias e José Carlos Oliveira Frias. O casal mantém, com trabalho, resistência e dedicação um espaço que nos possibilita exercer plenamente a paixão pelos livros. Fundada em 1991, a Livraria mais charmosa dos Açores vem agregando na sua história um leque de eventos e encontros imperdíveis. Escritores, Editores, Leitores e Simpatizantes têm no mítico espaço uma dinâmica cultural irrepreensível, confirmando que os livros estão mais vivos do que nunca!

Há apaixonados leitores por todos os cantos do mundo e é estimulante vê-los unidos em torno da importância e da beleza dos livros, elegendo as suas obras preferidas e defendendo as suas escolhas de forma estimulante e coerente. Maria Fernanda Sequeira, Leonor Sampaio, Pedro Pascoal de Melo, João Pedro Porto, Artur Veríssimo e eu demos a conhecer o que nos marcou em 2016 na Literatura, comentando sobre as obras e seus autores e lendo trechos relevantes dos livros que elegemos. Maria Helena Frias fez a apresentação do evento e a mediação entre os convidados. A plateia, muito atenta, esteve composta do início ao fim. Foram duas horas de livros e letras.

Destaque para as publicações nacionais: “A Gorda” de Isabel Figueiredo, “Karen” de Ana Teresa Pereira e “Céu Nublado com Boas Abertas” de Nuno Costa Santos. O livro de Cristina Cordeiro que recupera a obra do arquiteto Manuel António Vasconcelos (“Manuel António de Vasconcelos, pioneiro da arquitectura modernista”) e a reunião em livro da obra do pintor Domingos Rebelo (“Domingos Rebelo – Pintura”) foram escolhas que relembraram a importância dos livros para todas as Artes. A escolha de Raduan Nassar com o clássico da Literatura brasileira “Lavoura Arcaica” escrito em 1975, vencedor do Prémio Camões no ano de 2016 e do inconteste Truman Capote com o “Primeiros Contos”, ajudam a compreender a intemporalidade da Obra Literária. A poesia não foi esquecida e fez-se presente na Edição de Autor do livro “Seiva”, o segundo livro do poeta português Breve Leonardo.

É de Goethe a frase: “Ler é a arte de desfazer nós cegos” o que concordo plenamente e onde fortaleço a minha certeza de que partilhar as leituras é a arte de estreitar laços intelectuais e humanos.

Viva a partilha e viva a Literatura no seu lugar de consagração: A Livraria!

Eleonora Marino Duarte

Share Post